
Hugo Campos recebeu um desfibrilador implantável para impedir uma parada cardíaca
Vídeo ensina o que fazer em caso de parada cardiorrespiratória
Assista ao vídeo da campanha sobre arritmias cardíacas com Toquinho
Previna-se contra as arritmias cardíacas e a morte súbita
Até os 37 anos, o brasileiro Hugo Campos, residente nos EUA, nunca teve razão para suspeitar de nenhuma doença cardíaca. Ele se lembra apenas de ter sentido algumas palpitações ocasionais, mas achou que o sintoma tinha relação com situações de estresse ou excesso de café. Até que um dia desmaiou em uma estação de trem.
No hospital onde foi atendido, Campos ouviu que a causa do desmaio deveria ser uma simples desidratação. Algumas semanas depois, porém, consultou um cardiologista e soube que tinha sopro no coração. “Nada preocupante”, disse-lhe o médico. Durante dois anos, ele viveu sem pensar no assunto até desmaiar mais uma vez. Foi quando decidiu buscar a segunda opinião de um médico e descobriu ser portador de cardiomiopatia hipertrófica, uma doença genética que afeta 1 em 500 indivíduos.
Depois de pesquisar muito sobre a doença na internet e encontrar um centro especializado no tratamento da doença, muita coisa mudou na vida do brasileiro. “O mais difícil foi aceitar a realidade da possibilidade de uma parada cardíaca inesperada. Para reduzir este risco, recebi um desfibrilador cardioversor implantável (CDI), dispositivo semelhante a um marcapasso, capaz de detectar e tratar 99% das arritmias cardíacas malignas causadoras da morte súbita”, conta. Hoje, ele é um ativista de direitos dos pacientes com CDIs.
A história de Campos dá uma ideia de como a arritmia cardíaca pode ser perigosa e repentina. O problema é a principal causa de morte súbita, uma dobradinha que faz 300 mil vítimas por ano no Brasil. “A maior parte das arritmias é benigna; as malignas acometem principalmente quem já sofre de alguma doença cardíaca”, explica o cardiologista Guilherme Fenelon, presidente da Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas (Sobrac).
Fora do ritmo
Saiba mais sobre as arritmias cardíacas
- As arritmias cardíacas podem acometer do feto ao idoso. Daí a importância do diagnóstico precoce
- As arritmias cardíacas, associadas à frequência cardíaca elevada, podem resultar em infarto, principalmente se o indivíduo tiver predisposição, caso de hipertensos, fumantes, diabéticos e pessoas com antecedentes familiares
- Muitas vezes, as arritmias cardíacas não provocam sintomas e, por isso, grande parte da população desconhece seus riscos
- As arritmias podem provocar morte súbita, um evento inesperado, de evolução rápida, com parada cardiorrespiratória e morte, instantaneamente ou até 1 hora após o início dos sintomas
- A taxa de sucesso da recuperação reduz em 10% a cada minuto após o início da parada cardíaca. É necessário todo o esforço para um atendimento imediato e eficaz
- Em ambiente extra-hospitalar, como via pública, aeroporto, shopping center ou estádio de esportes, o cidadão que apresenta parada cardíaca e morte súbita somente terá chance de sobreviver se tiver acesso a um serviço de urgência equipado com desfibrilador, ou a um desfibrilador portátil (DEA)
As arritmias cardíacas são alterações elétricas que provocam irregularidade no ritmo das batidas do coração. Ele pode acelerar (taquicardia) ou bater mais devagar que o normal (bradicardia). Ou, ainda, apresentar ambas as irregularidades. “Algumas arritmias são congênitas, outras ligadas ao uso de medicamentos ou cafeína em excesso”, comenta o médico. A pessoa pode sentir palpitações, cansaço excessivo ao fazer esforço e, eventualmente, sofrer desmaios. Mas também há casos em que não há sintoma algum – a morte súbita é a primeira manifestação.
Fenelon alerta para a importância dos check-ups regulares, principalmente entre os indivíduos que já apresentam algum problema cardíaco. Ir ao médico antes de iniciar qualquer programa de atividade física é outra forma de evitar problemas, já que não é incomum presenciar casos de morte súbita durante a prática de esportes.
Dia de prevenção
Neste dia 12 de novembro, Dia Nacional de Prevenção de Arritmias Cardíacas e Morte Súbita, a Sobrac promove a campanha “Coração na Batida Certa”, com atividades educativas em diversos Estados para alertar sobre a prevenção e também para a importância do Desfibrilador Externo Automático (DEA), equipamento que deve estar presente em locais de grande circulação de pessoas, como shopping centers e estádios de futebol.
Embora o uso do desfibrilador seja simples (o equipamento é autoexplicativo), ele só é recomendado para pessoas treinadas. Um leigo que presencie um desmaio deve, antes de mais nada, ligar para 192 (Samu), ou pedir que alguém telefone. Caso perceba que a vítima está sem pulso ou não respira, deve executar a massagem cardíaca: contrações rápidas (100 por minuto) e intensas (veja vídeo com orientações para leigos e para profissionais).
Primeiros socorros
Infelizmente, nem todo mundo está preparado para fazer as manobras de ressuscitação em uma situação como essa. “Em muitas partes dos EUA, isso é ensinado na escola”, observa o cardiologista. Já no Brasil, o conhecimento é limitado a quem faz curso de primeiros socorros por iniciativa própria ou por exigência do trabalho.
O treinamento para atuar em casos de paradas cardiorrespiratórias no serviço permitiu o supervisor de segurança Andelso Resende salvasse a vida da mulher no ano passado. “Vi que ela tinha apagado na cama e verifiquei que não estava respirando”, lembra. Imediatamente, ele executou as manobras e, assim que ela recobrou a consciência, Resende levou a companheira para o hospital mais próximo. “É importante que as pessoas saibam o básico”, acredita ele, uma testemunha de que conhecimento e a iniciativa podem salvar vidas.
Tatiana Pronin
Vídeo ensina o que fazer em caso de parada cardiorrespiratória
Assista ao vídeo da campanha sobre arritmias cardíacas com Toquinho
Previna-se contra as arritmias cardíacas e a morte súbita
Até os 37 anos, o brasileiro Hugo Campos, residente nos EUA, nunca teve razão para suspeitar de nenhuma doença cardíaca. Ele se lembra apenas de ter sentido algumas palpitações ocasionais, mas achou que o sintoma tinha relação com situações de estresse ou excesso de café. Até que um dia desmaiou em uma estação de trem.
No hospital onde foi atendido, Campos ouviu que a causa do desmaio deveria ser uma simples desidratação. Algumas semanas depois, porém, consultou um cardiologista e soube que tinha sopro no coração. “Nada preocupante”, disse-lhe o médico. Durante dois anos, ele viveu sem pensar no assunto até desmaiar mais uma vez. Foi quando decidiu buscar a segunda opinião de um médico e descobriu ser portador de cardiomiopatia hipertrófica, uma doença genética que afeta 1 em 500 indivíduos.
Depois de pesquisar muito sobre a doença na internet e encontrar um centro especializado no tratamento da doença, muita coisa mudou na vida do brasileiro. “O mais difícil foi aceitar a realidade da possibilidade de uma parada cardíaca inesperada. Para reduzir este risco, recebi um desfibrilador cardioversor implantável (CDI), dispositivo semelhante a um marcapasso, capaz de detectar e tratar 99% das arritmias cardíacas malignas causadoras da morte súbita”, conta. Hoje, ele é um ativista de direitos dos pacientes com CDIs.
A história de Campos dá uma ideia de como a arritmia cardíaca pode ser perigosa e repentina. O problema é a principal causa de morte súbita, uma dobradinha que faz 300 mil vítimas por ano no Brasil. “A maior parte das arritmias é benigna; as malignas acometem principalmente quem já sofre de alguma doença cardíaca”, explica o cardiologista Guilherme Fenelon, presidente da Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas (Sobrac).
Fora do ritmo
Saiba mais sobre as arritmias cardíacas
- As arritmias cardíacas podem acometer do feto ao idoso. Daí a importância do diagnóstico precoce
- As arritmias cardíacas, associadas à frequência cardíaca elevada, podem resultar em infarto, principalmente se o indivíduo tiver predisposição, caso de hipertensos, fumantes, diabéticos e pessoas com antecedentes familiares
- Muitas vezes, as arritmias cardíacas não provocam sintomas e, por isso, grande parte da população desconhece seus riscos
- As arritmias podem provocar morte súbita, um evento inesperado, de evolução rápida, com parada cardiorrespiratória e morte, instantaneamente ou até 1 hora após o início dos sintomas
- A taxa de sucesso da recuperação reduz em 10% a cada minuto após o início da parada cardíaca. É necessário todo o esforço para um atendimento imediato e eficaz
- Em ambiente extra-hospitalar, como via pública, aeroporto, shopping center ou estádio de esportes, o cidadão que apresenta parada cardíaca e morte súbita somente terá chance de sobreviver se tiver acesso a um serviço de urgência equipado com desfibrilador, ou a um desfibrilador portátil (DEA)
As arritmias cardíacas são alterações elétricas que provocam irregularidade no ritmo das batidas do coração. Ele pode acelerar (taquicardia) ou bater mais devagar que o normal (bradicardia). Ou, ainda, apresentar ambas as irregularidades. “Algumas arritmias são congênitas, outras ligadas ao uso de medicamentos ou cafeína em excesso”, comenta o médico. A pessoa pode sentir palpitações, cansaço excessivo ao fazer esforço e, eventualmente, sofrer desmaios. Mas também há casos em que não há sintoma algum – a morte súbita é a primeira manifestação.
Fenelon alerta para a importância dos check-ups regulares, principalmente entre os indivíduos que já apresentam algum problema cardíaco. Ir ao médico antes de iniciar qualquer programa de atividade física é outra forma de evitar problemas, já que não é incomum presenciar casos de morte súbita durante a prática de esportes.
Dia de prevenção
Neste dia 12 de novembro, Dia Nacional de Prevenção de Arritmias Cardíacas e Morte Súbita, a Sobrac promove a campanha “Coração na Batida Certa”, com atividades educativas em diversos Estados para alertar sobre a prevenção e também para a importância do Desfibrilador Externo Automático (DEA), equipamento que deve estar presente em locais de grande circulação de pessoas, como shopping centers e estádios de futebol.
Embora o uso do desfibrilador seja simples (o equipamento é autoexplicativo), ele só é recomendado para pessoas treinadas. Um leigo que presencie um desmaio deve, antes de mais nada, ligar para 192 (Samu), ou pedir que alguém telefone. Caso perceba que a vítima está sem pulso ou não respira, deve executar a massagem cardíaca: contrações rápidas (100 por minuto) e intensas (veja vídeo com orientações para leigos e para profissionais).
Primeiros socorros
Infelizmente, nem todo mundo está preparado para fazer as manobras de ressuscitação em uma situação como essa. “Em muitas partes dos EUA, isso é ensinado na escola”, observa o cardiologista. Já no Brasil, o conhecimento é limitado a quem faz curso de primeiros socorros por iniciativa própria ou por exigência do trabalho.
O treinamento para atuar em casos de paradas cardiorrespiratórias no serviço permitiu o supervisor de segurança Andelso Resende salvasse a vida da mulher no ano passado. “Vi que ela tinha apagado na cama e verifiquei que não estava respirando”, lembra. Imediatamente, ele executou as manobras e, assim que ela recobrou a consciência, Resende levou a companheira para o hospital mais próximo. “É importante que as pessoas saibam o básico”, acredita ele, uma testemunha de que conhecimento e a iniciativa podem salvar vidas.
Tatiana Pronin