sexta-feira, 12 de novembro de 2010

43% das empresas violam os direitos humanos, afirma pesquisa


Estudo ouviu 800 profissionais brasileiros que atuam em São Paulo e no Rio de Janeiro

A pesquisa “Direitos Humanos nas Empresas”, realizada pelo Instituto Noberto Bobbio, especializado em pesquisas sobre democracia, direitos humanos e sociedade civil, e desenvolvida pela consultoria Plano CDE, especializada no universo das classes C, D e E, com o apoio da BMF&Bovespa, revelou que 43% das empresas foram cenários de situações moderadas ou graves de violações dos direitos humanos no último ano.

O estudo foi realizado com 800 profissionais de empresas com mais de 50 funcionários no Rio de Janeiro e São Paulo, que atuam no comércio, indústria, bancos (e outras atividades financeiras) e serviços não financeiros (educação, saúde, telemarketing e outros). Segundo a pesquisa, um terço dos entrevistados citou ter sofrido algum tipo de abuso grave nos últimos 10 anos, e dois terços descreveram violações leves ou graves sofridas por amigos ou parentes no mesmo período.

Considerando somente as violações graves – que podem incluir desde declarações explícitas de preconceitos, agressões verbais e/ou físicas, roubo e assédio sexual –, 9% dos funcionários têm a percepção de que os abusos ocorreram em seu local de trabalho.

Especificamente em relação a atitudes discriminatórias, 11% dos respondentes disseram que em suas empresas existe discriminação contra negros, mulheres, homossexuais ou idosos, e 7% já foram vítimas diretas de preconceito. Segundo Haroldo Torres, sócio-diretor da Plano CDE, as abordagens mais discriminatórias foram registradas com mulheres, negros e profissionais com salário inferior a R$ 3 mil.

A pesquisa também aponta que há desconforto e mal estar nos locais de trabalho: 38% dos entrevistados afirmam que as opiniões dos funcionários não são levadas em conta; 30% entendem que alguns chefes tratam os subordinados de maneira desrespeitosa; 21% declararam que alguns colegas são maltratados; 38% disseram não entender os critérios de promoção; e 44% afirmaram que há salários diferentes para a mesma função.
Indústria tem os melhores índices
Os resultados da pesquisa mostram que, na indústria, 84% dos respondentes consideram que são tratados com mais educação e mais de 76% sentem que suas opiniões são levadas em conta. Já os serviços não financeiros apresentam a pior avaliação em todos os quesitos, registrando os maiores índices por maus tratos e pela falta de clareza nos critérios de promoção – 25% e 46%, respectivamente.

Para Torres, uma possível explicação deve ser o fato de que setores com sindicatos fortes e atuantes contribuem para que as empresas tratem seus funcionários de maneira mais respeitosa.

O levantamento aponta ainda que mais de 50% dos funcionários do setor de bancos e serviços financeiros sentem desconforto com políticas de valorização do mérito, mencionando o pagamento de salários diferentes para quem tem o mesmo tipo de atividade, formação e tempo de casa.

Da Redação