
Pacientes imunossuprimidos com doenças reumáticas auto-imunes podem ser vacinados contra a influenza H1N1, sem prejuízos à saúde. É o que constata estudo realizado pelo Serviço de Reumatologia do Hospital das Clínicas, da Faculdade de Medicina da USP, em colaboração com a Unidade de Reumatologia Pediátrica do Instituto da Criança, Divisão de Moléstias Infecciosas, Instituto Adolfo Lutz e Instituto Butantan.
O estudo avaliou a eficácia e a segurança da vacina contra o vírus H1N1 A em 1.668 pacientes, em tratamento no Instituto Central do Hospital das Clínicas, da Faculdade de Medicina da USP, no período de 2009, e acaba de ser publicado na revista Annals of Rheumatic Diseases, a de maior impacto da área reumatológica.
Participaram da pesquisa pacientes com diagnósticos de artrite reumatóide, espondiloartrites, lúpus eritematoso sistêmico, dermatomiosite, polimiosite, doença mista do tecido conectivo, vasculites sistêmicas, esclerose sistêmica, síndrome de Sjögren, síndrome antifosfolípide primária, seguidos no Ambulatório do Serviço de Reumatologia do Instituto Central do HC.
Os pacientes foram avaliados quanto à presença de efeitos colaterais, antes e 21 dias após a vacinação, para dados clínicos e laboratoriais de atividade de doença.
Para grupo controle foram recrutados 234 adultos saudáveis. Todos foram vacinados contra o vírus H1N1 A em 2009.
Foram colhidas amostras de sangue para dosagem dos níveis de anticorpos para o vírus H1N1 A por teste de inibição de hemaglutinação e para análise de autoanticopos, antes e 21 dias após a vacinação.
Segundo a professora Eloisa Bonfá, titular da Disciplina de Reumatologia do HCFMUSP, a eficiência da resposta imunológica à vacina dos pacientes foi reduzida em apenas três (Lúpus, Artrite Reumatóide e Artrite Psoriásica), das 13 doenças avaliadas.
Não foram relatados efeitos colaterais moderados e graves ou reativação das doenças, reforçando a segurança da vacina em pacientes com doenças auto-imunes reumatológicas.