terça-feira, 20 de julho de 2010

Motos se transformam em mídia ambulante no Distrito Federal



Motomídia é o nome da primeira agência de publicidade do DF especializada na veiculação de campanhas em coletes e baús dos motofretistas e mototaxistas


A criatividade e inovação também estão presentes no novo segmento prestador de serviços sobre duas rodas. No Distrito Federal, há menos de um ano, a Motomídia se tornou a primeira agência de publicidade especializada na veiculação de campanhas educativas e comerciais utilizando os espaços vazios dos coletes (dos mototaxistas) e baús dos motofretistas como mídia ambulante. Esses equipamentos integram o conjunto de quesitos considerados obrigatórios por lei e resolução do Contran para exercer as atividades no território nacional. A Motomídia é fruto da iniciativa dos publicitários Fábio de Melo, Benedito Rodrigues e Luiz César Ribeiro, diretores da empresa. “Trata-se de um novo modelo de mídia, já testada, desde o ano passado, na campanha contra a dengue do Ministério da Saúde”, informa Júlio César Ferreira, gerente da agência de publicidade. A idéia de montar a empresa surgiu a partir de parceria estabelecida entre o Ministério da Saúde, o Sindmoto (Sindicato dos Motociclistas Profissionais do DF) e Sindmotaxi (Sindicato dos Mototaxistas e Motofretistas do Distrito Federal). Os coletes e baús entraram no rol de mídias alternativas que o Ministério resolveu usar para divulgar os cuidados que cidadãos devem ter para evitar a propagação do mosquito da dengue. “As motos circulam em locais e periferias, onde nem ônibus e van costumam chegar”, justifica o gerente. Mais renda “Nosso objetivo era agregar renda para os trabalhadores e empreendedores que trabalham sobre duas rodas”, afirma Luiz Carlos Garcia Galvão, presidente do Sindmotaxi. A remuneração foi de R$ 30 por mês para aquele que circulava com adesivo da campanha na parte traseira do baú, mais R$ 20 por mês para propaganda no colete. “Cinquenta reais por mês é uma boa ajuda na despesa de combustível para uma moto”, diz Galvão. Entre março e maio deste ano, quatrocentos motofretistas e mototaxistas aderiram à campanha do MS , circulando por ruas e avenidas de Brasília e das 14 administrações regionais (também conhecidas como cidades satélites) exibindo a mensagem contra a doença. Os resultados foram considerados muito bons pelo Ministério e a campanha foi estendida para cidades de Goiás, no entorno da capital federal, segundo Galvão. “Conforme o lugar aonde o motofretista e mototaxista iam, a campanha contra a dengue chegava mais rápido do que a mídia normal”, garante o presidente do Sindmotaxi. João Paulo Menez Rodrigues, ex-motofretista contratado com carteira assinada e participante da campanha, confirma. “Só de ler o adesivo no colete e baú, o cidadão pensa em prevenir a doença, comenta com o vizinho, parente, etc”, diz ele. De empregado a empresário João Paulo conta que se registrou como Empreendedor Individual, há três meses, no Sebrae no Distrito Federal. Ele comemora a nova situação. “Antes de abrir a minha empresa, ganhava R$ 800 por mês como empregado e trabalhava de segunda a domingo. Agora, estou ganhando entre R$ 2,5 mil e R$ 3 mil por mês, trabalho de segunda a sexta-feira e sou dono do negócio”, revela, satisfeito. O empreendimento individual de João Paulo se chama JP Service. “Participei de uma palestra do Sebrae e quero fazer mais cursos. Fiz cartões de visita e já tenho carteira de clientes”, afirma. Solteiro, com 27 anos e morador da cidade satélite de Planaltina, o novo empreendedor diz que pretende voltar a estudar e fazer Faculdade de Administração. Desde a regulamentação da profissão de mototaxista e motofretista, o preconceito contra ele e seus colegas de atividade já diminuiu. “As pessoas já estão nos enxergando de outra forma. Não somos mais motoboys”, acrescenta.

Da Agência Sebrae de Notícias