terça-feira, 9 de março de 2010

Contabilidade pública ainda é assunto pouco estudado


Uma estante repleta de títulos sobre contabilidade pública continua um sonho para os profissionais brasileiros da área. Apesar de ser um tema de interesse entre pesquisadores e estudantes de Ciências Contábeis, a bibliografia específica permanece reduzida no Brasil, onde são poucos os cursos superiores voltados para a gestão pública. Nos cursos de contabilidade a ênfase curricular está em contabilidade geral, o que contribui para a baixa demanda de textos sobre o assunto.
De acordo com o professor João Marino Júnior, da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA-USP), o termo "contabilidade pública" é de difícil entendimento para leigos. Para ele, o interesse do cidadão está muito mais "na fiscalização, no combate à corrupção e na boa gestão dos recursos (benefícios sociais)". E completa: "assim, contabilidade pública ainda é incompreensível para quem não tem familiaridade com a área contábil".
O professor acredita que a bibliografia específica, apesar de restrita, melhorou nos últimos anos, principalmente com a implementação da Lei 4.320/64, que trata das normas para elaboração e controle do orçamento e de balanços públicos e pela Lei de Responsabilidade Fiscal em 2000. Diz ainda que o fato de a bibliografia ser escassa não compromete a formação dos alunos, pois os livros disponíveis em português são muito bons. Atualmente existem mais de 800 cursos superiores de Ciências Contábeis no Brasil, segundo dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). A maioria deles está concentrada na região sudeste (344), seguida da região sul (186). Nas regiões nordeste, centro-oeste e sul há, respectivamente, 162, 99 e 53 cursos cadastrados. São Paulo e Rio de Janeiro são as cidades com maior oferta de faculdades para quem quer ser um profissional de contabilidade.