segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Quase metade das pequenas empresas paulistas vende para grandes empresas

Quase metade (43%) das micro e pequenas empresas (MPE) paulistas venderam para médias e grandes empresas em 2009. Essas últimas responderam por 21% do faturamento das MPE em 2009. Já no sentido inverso, 73% das MPE paulistas compraram de grandes empresas em 2009. As grandes empresas responderam por 45% do valor das compras das MPE em 2009. Essas são as principais conclusões da pesquisa A Relação das MPEs com as Médias e Grandes Empresas, realizada pelo Sebrae/SP entre setembro e outubro deste ano. A pesquisa apresenta a percepção dos donos de micro e pequenas empresas na relação com médias e grandes. A pesquisa, feita com uma amostra planejada de 300 MPE, foi estruturada em três grandes blocos: a grande empresa como cliente, como fornecedora e atuando no mesmo mercado (concorrência). Foram consideradas como médias e grandes as empresas da indústria com 100 ou mais empregados e as empresas de comércio e serviços com 50 ou mais empregados. Os resultados foram ponderados pela participação de cada setor no universo das MPE paulistas: comércio (53%), serviços (35%) e indústria (12%). “O primeiro dado que chama a atenção é que na relação entre pequenas e grandes, as vendas para grandes empresas provavelmente têm um caráter esporádico”, comenta o consultor do Sebrae/SP Pedro João Gonçalves, coordenador da pesquisa. A maior parte da receita total das empresas foi para o consumidor final (54%). Entre as MPE que vendem para grandes empresas, a principal dificuldade apontada pelas empresas na venda para esse mercado é a fixação de um preço de venda lucrativo, citada por 84% das micro e pequenas empresas. Um total de 18% das MPE trabalham como terceirizadas de grandes empresas e 8% vendem para um cliente único. Considerando somente as pequenas que vendem para grandes empresas, observa-se a predominância da indústria (44%) entre os clientes da pequena empresa. Uma parcela de 29% vendeu para o setor de serviços e 24% para o comércio (sendo 14% varejo e 10% atacado). Outra constatação é que a micro e a pequena não têm uma política específica para vender para grandes empresas. A maioria das MPE (72%) declara não ter uma estratégia diferenciada para vender para grandes empresas. Entre as que têm alguma estratégia de venda para grandes empresas, a mais usada é a atenção no atendimento, citada por 11%. No grupo das pequenas que vendem para grandes empresas, os meios de contato mais utilizados para vendas são: as visitas aos clientes (86% de importância “grande” ou “média”) e o uso do telefone (76%). Entre os que vendem para grandes empresas, os fatores considerados mais importantes para vender são a rapidez na entrega (99% de importância “grande” ou “média”) e a qualidade dos produtos e serviços (96%). “Isso indica que a grande empresa é provavelmente um cliente exigente quanto ao prazo de entrega e à qualidade do produto e serviço prestado”, analisa Gonçalves. Entre as micro e pequenas que não vendem para grandes empresas, a maior dificuldade apontada é a falta de escala de produção ou vendas do segmento. Essa dificuldade foi citada como de importância “grande” ou “média” por 48% das MPE que não vendem para grandes empresas. “A baixa escala das operações foi apontada como o principal fator para vender para grandes empresas. Uma alternativa para contornar essa dificuldade seria o uso de algum mecanismo associativo entre as pequenas”, ressalta Gonçalves. Entretanto, a grande maioria (91%) das pequenas empresas diz não realizar nenhuma parceria com outras empresas para vender. Da mesma forma, a maioria das MPE (96%) não tem parcerias para comprar das grandes empresas. Médias e grandes como fornecedoras Uma parcela de 17% das MPE atua como representantes comerciais, 12% trabalham em assistência técnica ou revendedoras autorizadas e 2% atuam como franqueadas. “No total, podemos observar que 42% das MPE atuam em alguma relação diferenciada no mercado, como terceirizadas, representantes comerciais, assistência técnica ou franqueada”, destaca Gonçalves. As micro e pequenas que compram de grandes empresas consideram a qualidade dos produtos e serviços – mencionada com importância “grande” ou “média” por 98% das MPE –, a rapidez na compra e o preço – ambos com 96% – como os fatores mais importantes para essa decisão. As visitas de vendedores de grandes empresas (74% de importância grande ou média) e o uso do telefone (73%) são os meios de contato considerados mais importantes no processo de compra. O principal entrave para a compra é a não-obtenção de condições de pagamento adequadas, citada como dificuldade grande ou média por 76% das MPE. Para as pequenas empresas que não compram de grandes empresas, a maior dificuldade apontada é o fato de que as MPE compram em pequenas quantidades. Essa dificuldade foi citada com importância grande ou média por 63% da empresas ouvidas. Médias e grandes como concorrentes Uma parcela de 65% das MPE informa que há grandes empresas concorrentes em seus mercados de atuação. Porém, na prática, 57% consideram que a presença das grandes não prejudicou nem beneficiou sua empresa. Outros 33% das MPE consideram que foram prejudicadas pela concorrência com grandes empresas. Um grupo de 10% se diz beneficiado pela concorrência com grandes empresas. Entre as MPE que se consideram beneficiadas pela concorrência, 75% consideram que a presença de grandes empresas estimula a competitividade no setor. Entre as MPE que se consideram prejudicadas pela concorrência, 68% consideram que o principal motivo para isso é o fato de as grandes empresas venderem a preços menores.
O estudo completo está disponível no portal do Sebrae/SP (http://www.sebraesp.com.br/sites/default/files/mpes_mges_09.pdf).
Serviço: Sebrae/SP Marketing e Comunicação
Tel.: (11) 3177-4825/4905/4904/4662/4658
Da Agência Sebrae de Notícias