quarta-feira, 12 de maio de 2010

Empresas lucram com produtos gratuitos


O consumidor nunca achou que sua opinião valesse tanto. Em troca dela, poderá ganhar produtos com valor de até R$ 100 em duas lojas que abrem as portas no Brasil nos próximos dias: o Clube Amostra Grátis e a Sample Central. Isso pode parecer alguma promoção, mas são dois empreendimentos sérios, que devem movimentar alguns milhões de reais e pôr em debate a importância da opinião dos consumidores.
As duas lojas trabalham com o conceito de tryvertising (junção dos termos try e advertising, que significam teste e propaganda), que é a familiarização do consumidor com o produto por meio do seu teste. A loja expositora cobra uma taxa dos fabricantes para divulgar e distribuir seus produtos aos membros cadastrados. Esses pagam uma taxa anual pequena, e podem retirar uma quantidade de produtos gratuitamente, desde que respondam a uma pesquisa sobre sua experiência de uso. As empresas , por sua vez, dão visibilidade a seus produtos, além de terem um relatório de como seus lançamentos devem ser recebidos no mercado.
“Com esse sistema, o consumidor tem uma experiência de uso plena, diferente do que ocorre com amostras grátis; e a empresa pode testar as expectativas do consumidor, e o feedback dele é garantido”, afirma Heloísa Omine, professora da pós-graduação da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM). A tendência de surgirem negócios que façam o consumidor gastar menos é uma das apontadas na
edição deste mês da revista Pequenas Empresas & Grandes Negócios.
Como lucrar com o grátis
Pode parecer contraditório que oferecer produtos de graça possa gerar algum lucro. Mas o que as duas lojas estão fazendo é criar um espaço de diálogo mais profundo entre o consumidor e a indústria: o primeiro tem uma experiência mais intensa com o produto; a segunda tem uma resposta mais completa de como seu produto foi recebido.
“O questionário de avaliação leva apenas três minutos para ser preenchido, tem de cinco a dez perguntas objetivas, e no máximo uma dissertativa. Limitamos seu tamanho em respeito ao associado”, afirma Luis Gaeta, 40, fundador do Clube Amostra Grátis. Junto com o colega Denis Shimada, 34, investiu R$ 2,5 milhões na abertura da loja, e deve gastar mais R$ 1,5 milhão até o fim do ano.
O Clube Amostra Grátis será inaugurado nesta terça-feira (11) na Rua Harmonia, 213 – Vila Madalena, São Paulo-SP, e já tem cerca de 90 produtos disponíveis. Para se cadastrar, o consumidor paga uma taxa anual de R$ 50, e poderá retirar até cinco produtos por mês. “Temos 8 mil sócios, e esperamos alcançar 20 mil até o fim de maio”, diz Gaeta. Enquanto não tiver respondido todos os questionários, o membro do clube não poderá retirar novos produtos.
A meta do empreendimento é faturar R$ 3 milhões em 2010. Para uma empresa expor um produto na loja e ter acesso à pesquisa feita com os consumidores ela deve pagar R$ 8 mil. Quanto mais produtos, menor será o preço unitário. Os sócios estão otimistas, e pretendem abrir mais duas lojas ainda neste ano, em São Paulo e em outra capital, como Rio de Janeiro ou Curitiba.

Ricardo F. Santos