segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Como Nelson Mandela destruiu sem violência um regime que proibia o uso de banheiros a negros


DAVOS, janeiro de 1999, Fórum Econômico Mundial.

A platéia de políticos, empresários e executivos da elite do mundo aguarda com ansiedade adolescente, na belíssima cidade nevada nos Alpes suíços, que Nelson Mandela apareça no palco. É uma espécie de despedida: o mandato de Mandela como primeiro presidente eleito da África do Sul está terminando. “Câmaras de emissoras de todas as partes estavam se ajustando; a platéia não se continha nas cadeiras na expectativa de saudar uma lenda vida; não havia lugar nenhum disponível”, lembraria, posteriormente, um dos organizadores do encontro naquele ano.
Mandela, já na iminência de apanhar o microfone, pede emprestado a ele, o organizador, o celular. O grande homem faz a ligação e o que é ouvido em seguida não estava, definitivamente, no roteiro de ninguém. Mandela estava falando com seus netos, na África do Sul, sobre a lição de casa. Mostrava satisfação diante de boas respostas da garotada, e para um neto que percebeu ter sido relapso falou, “com firmeza serena”, sobre a importância da educação. Combinou um encontro para dali a dois dias no qual o neto deveria apresentar seu plano para recuperar o atraso escolar. E então Madiba, como Mandela é chamado por seus conterrâneos, o nome que recebeu no clã negro do qual é oriundo, devolveu o celular.
“Não sabia se estava diante de uma lenda, de um anjo ou de ambos”, recordaria o organizador.


por Paulo Nogueira